São os primeiros dias de
Março, em que finalmente o Sol venceu a tenebrosa chuva que nos molhou e
incomodou durante tantos dias. É ele, brilha lá em cima. Uma sensação que te
satisfaz. Uma temperatura que no Verão é insuficiente para te aquecer. Nessa
altura és mais egoísta, queres mais, mais calor que te aqueça. Mas isso, é um
tempo distante, não impossível se jogadas as pedras no caminho certo. Não
imaginemos o futuro, nem relembremos o passado... Vivamos o presente. O que
acontece agora neste preciso momento. O teu aparente tremer e a minha igualdade
de movimentos apenas por um isqueiro. Que tensão é esta que nos envolve e, por
momentos, não és capaz de lembrar um segundo à tua volta. O que aconteceu nessa
pequena fração da nossa vida, que nos desligou do restante? Foi um momento
simples, até considerado por muitos, banal. Mas escutar o meu nome vindo da tua
voz mudou-me. Estava até então relaxado, e deixaste-me tenso. Falaste comigo e
ouvi-te, sim escutei-te. Ouvi cada palavra tua e olhei para ti. E ao olhar para
trás é tudo o que recordo desses poucos segundos. Desapareces. Reencontro-te e
durante um segundo fico sem saber como reagir. Mas aí, tu falas para mim.
Captas novamente toda a minha atenção. Parece que contigo me sinto diferente, menos
à vontade. E é raro que alguém me provoque isso. Gosto disso. Gosto de me
sentir novamente um puto de 15 anos, inocente em tudo o que é a vida. Recordo-me
da gíria popular "são borboletas na barriga". Mas será isso possível?
Não sei... Mas sinto. E isso chama-me, atrai-me para ti. Faz-me querer-te. Conhecer
melhor claro. Saber mais de ti, o que está debaixo dessa faceta mais rebelde.
Encontrar a tua doçura, o teu lado mais privado. Por baixo dessa vontade de
picar que tens, "não, a minha água não esta minada"... E penso para
mim em tom cómico "é normal com o calor ter sede". Contudo, o
problema de todos os jogos da vida... É que são precisos dois para dançar o
tango. Não confundas as minhas palavras, não quero dançar contigo, apenas tomar
café. Não sei se existirão mais momentos, mas hoje houve um. E depois disso, só
podemos ficar a desejar por mais.
terça-feira, 11 de março de 2014
domingo, 9 de março de 2014
Maybe Tomorrow?
Ecos de pensamento que me confundem, e sigo sem rumo. Sou
bombardeado com novos caminhos que se abrem para mim. Mas permaneço imóvel. O
desconhecido amedronta-me a vontade. Uma guerra sem fim, de novas imaginações
que se esquartejam e se vão dilacerando. É um violento confronto, sangrento e
temível. A dúvida que comanda um exército que me destrói e me impede de viver.
Sim viver, e partilhar contigo vocábulos até então proibidos. Palavras
censuradas pela estúpida razão do meu pensamento. Porque os caminhos, não
representam certezas. São apenas ridículas dedução lógicas. Afogo então, a
criatividade do meu ser, e sou preso do medo. A perna esquerda não avança e a
direita permanece imóvel. Não sei... E se nas minhas palavras perco tudo? É
imaginação minha, causas e efeitos, que em nada se garantem. Tanto posso ser um
infeliz amanhã, como um Joker. Envergando-me um sorriso que me rasga a alma, e
vende pecado. A inveja de outrem pelo meu tonto sorriso. Mas não sigo por esse
porto. E esfuma-se. Desaparece. Renasce comigo e morre comigo. É anulado pelo
seu oposto, o da tristeza. E do sentimento de perda. São duas balanças que não
se equilibram. Apenas quero sentir um peso em mim. O teu. Não de uma forma
intensa, mas leve. Que seja fácil em carregar diariamente, enquanto por si
próprio vai crescendo ou não. Não se confunda a densidade das minhas palavras.
Não te quero a ti como a uma metade de mim. Quero-te a ti mesma, na tua
inocente genuinidade. Do que representas? Do que queres? Um simples vislumbre
do teu olhar. Um simples escutar das tuas palavras. Perceber o quem em ti
representas em mim. Que peso me provocas. De que forma me atinges e fazes
recordar. Fotogramas de outras épocas em que vivia contigo. Sentir contigo, o
renascer de memórias passadas. Boas memórias. De locais, de segundos. E
compreendê-las após anos. Se tudo foi um longo desvio de um voo com destino
traçado desde o início. Se tudo o que vivi até então não foram apenas escalas
dum avião que me trouxe de volta a ti. Não te quero assustar com palavras madrugadoras.
Só e apenas perceber se esta pena que pesa dentro de mim, é levada com o vento,
ou se fica e cresce. Para isso ver-te, conviver contigo. Um dia. Um momento.
Matar a dúvida da incerteza do meu presente. Quando queres ser minha cúmplice
nesse momento?
sexta-feira, 7 de março de 2014
E foder-te, seria assim tão mau?!
Pegar em ti. Purgar toda essa vontade. Carnal, verdade seja dita.
Romper, rasgar, atirar. Pegar. Amassar. Agarrar. Marcar.
Fazer de ti um simples objecto pungente.
Fraco, frágil e completamente imersa nesse cheiro que resta do que chamam sexo.
Desfigurar completamente essa alma. Deixá-la privada de qualquer sentido. Mesmo que por instantes.
Cansar-te, partir-te e roubar-te a vida.
Não mudarias. Não te adaptavas nem moldavas. Muito menos morrerias. Apenas nascias.
Nascias como nova. Sem preconceito. Sem mágoa e sem temor.
Diferente. Sentirias tudo igual, mas de forma completamente diferente. Novo.
Gemerias. Tremerias. Berrarias e gritarias.
Contorcer-te-ias e terias espasmos. E, provavelmente terias cãibras.
Eu não estaria igual. Ficaria bem pior. Não tenhas dúvidas. Ficava sem puder respirar esse cheiro imundo em ti. Ficaria tão cego por ele que não iria conseguir respirar direito por semanas. Essas memórias seriam como traumas no intimo do meu ser. Não voltaria a ser igual mas não seria diferente.
Não poderia continuar igual. Tinha-te tido. Mesmo que por instantes. Mesmo que por meros segundos tivesses morrido nos meus sentidos.
Desalmaria esse corpo. Espancava-o até ele desistir. Ficar entregue à tortura dos sentidos.
Tudo isto aconteceria da forma mais bruta e violenta que o prazer permitisse.
Sem rodeios, teria esse acto puramente carnal da forma mais lenta e passiva que a violência o permitisse.
Sem ritmos, sem certezas. Apenas posso afirmar que, se pudesse nada seria assim. Mas os teus sentidos assim o desejariam.Tu o desejarias.
E foder-te, seria assim tão mau?!
Basta.
Tudo na vida é errado.
O amor é errado.
O ódio é errado.
Esta aborrecida categorização.
Deveríamos ser livres da Razão.
Desta prisão que nos tortura.
Nos impede de viver para além de.
Da insensível rotina diária.
Viver em loop, em 360.
A merda do trabalho e das discussões.
Foda-se, chega.
Basta de todas as merdices que nos atormentam.
Daquela puta eleita do governo.
Que nos fode todos os dias.
E é paga.
Por ti.
És fodido e ainda pagas.
Revolta-te e diz Chega!
Chega de toda a tortura.
De quereres alimentar os teus filhos.
E ser no espelho um falhado.
Nasceste e és Português.
A pátria é fodida.
Foge daqui, emigra.
Não lutes e desiste.
Alimenta a boca a outros tubarões.
Ou fica.
Solta o animal que há em ti.
E sê a mudança.
O erro está sempre aqui.
Tudo pode ser tanto certo como errado.
Se ninguém o rotular.
Não tenhas medo de lutar.
E se todos fugirem?
Mas e se todos ficarem?
Devaneios do celibato.
Uma boa foda.
Sim foi o que foi.
Uma mistura perfeita.
De dois pólos opostos.
Dum mesmo continum.
Amor e Sexo.
Um louco leilão de prazer.
Tu licitas e ganhas.
Eu licito e ganho.
A minha boca na tua cona.
Os teus lábios no meu pénis.
Um êxtase de prazer a dois.
Vestidos de pele transpirada.
Os lábios viajam por estas marés.
O destino é claro.
Uma fusão de duas matérias.
O sentido insaciável do prazer.
A vontade incansável do toque.
Dois pares de mãos.
Que se entrelçam e se distanciam.
Guiam-se por mundos diferentes.
Por rabos, mamas, cabelos.
Abarcam em portos temporariamente distantes.
Sexuais do prazer da vida.
Unem-se os dois pontos fundamentais.
Um no outro molhados.
Violento prazer a dois.
É tão bom, foder.
A essência da vida.
Encontra-se em dois que são um.
Aquecendo um quarto frio.
Transpiram os corpos e as paredes.
Gemem ambas as melodias.
Conseguiste sentir o ponto.
Uma exacerbação da vida.
Vestida de instintos animais.
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