São os primeiros dias de
Março, em que finalmente o Sol venceu a tenebrosa chuva que nos molhou e
incomodou durante tantos dias. É ele, brilha lá em cima. Uma sensação que te
satisfaz. Uma temperatura que no Verão é insuficiente para te aquecer. Nessa
altura és mais egoísta, queres mais, mais calor que te aqueça. Mas isso, é um
tempo distante, não impossível se jogadas as pedras no caminho certo. Não
imaginemos o futuro, nem relembremos o passado... Vivamos o presente. O que
acontece agora neste preciso momento. O teu aparente tremer e a minha igualdade
de movimentos apenas por um isqueiro. Que tensão é esta que nos envolve e, por
momentos, não és capaz de lembrar um segundo à tua volta. O que aconteceu nessa
pequena fração da nossa vida, que nos desligou do restante? Foi um momento
simples, até considerado por muitos, banal. Mas escutar o meu nome vindo da tua
voz mudou-me. Estava até então relaxado, e deixaste-me tenso. Falaste comigo e
ouvi-te, sim escutei-te. Ouvi cada palavra tua e olhei para ti. E ao olhar para
trás é tudo o que recordo desses poucos segundos. Desapareces. Reencontro-te e
durante um segundo fico sem saber como reagir. Mas aí, tu falas para mim.
Captas novamente toda a minha atenção. Parece que contigo me sinto diferente, menos
à vontade. E é raro que alguém me provoque isso. Gosto disso. Gosto de me
sentir novamente um puto de 15 anos, inocente em tudo o que é a vida. Recordo-me
da gíria popular "são borboletas na barriga". Mas será isso possível?
Não sei... Mas sinto. E isso chama-me, atrai-me para ti. Faz-me querer-te. Conhecer
melhor claro. Saber mais de ti, o que está debaixo dessa faceta mais rebelde.
Encontrar a tua doçura, o teu lado mais privado. Por baixo dessa vontade de
picar que tens, "não, a minha água não esta minada"... E penso para
mim em tom cómico "é normal com o calor ter sede". Contudo, o
problema de todos os jogos da vida... É que são precisos dois para dançar o
tango. Não confundas as minhas palavras, não quero dançar contigo, apenas tomar
café. Não sei se existirão mais momentos, mas hoje houve um. E depois disso, só
podemos ficar a desejar por mais.
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