Ecos de pensamento que me confundem, e sigo sem rumo. Sou
bombardeado com novos caminhos que se abrem para mim. Mas permaneço imóvel. O
desconhecido amedronta-me a vontade. Uma guerra sem fim, de novas imaginações
que se esquartejam e se vão dilacerando. É um violento confronto, sangrento e
temível. A dúvida que comanda um exército que me destrói e me impede de viver.
Sim viver, e partilhar contigo vocábulos até então proibidos. Palavras
censuradas pela estúpida razão do meu pensamento. Porque os caminhos, não
representam certezas. São apenas ridículas dedução lógicas. Afogo então, a
criatividade do meu ser, e sou preso do medo. A perna esquerda não avança e a
direita permanece imóvel. Não sei... E se nas minhas palavras perco tudo? É
imaginação minha, causas e efeitos, que em nada se garantem. Tanto posso ser um
infeliz amanhã, como um Joker. Envergando-me um sorriso que me rasga a alma, e
vende pecado. A inveja de outrem pelo meu tonto sorriso. Mas não sigo por esse
porto. E esfuma-se. Desaparece. Renasce comigo e morre comigo. É anulado pelo
seu oposto, o da tristeza. E do sentimento de perda. São duas balanças que não
se equilibram. Apenas quero sentir um peso em mim. O teu. Não de uma forma
intensa, mas leve. Que seja fácil em carregar diariamente, enquanto por si
próprio vai crescendo ou não. Não se confunda a densidade das minhas palavras.
Não te quero a ti como a uma metade de mim. Quero-te a ti mesma, na tua
inocente genuinidade. Do que representas? Do que queres? Um simples vislumbre
do teu olhar. Um simples escutar das tuas palavras. Perceber o quem em ti
representas em mim. Que peso me provocas. De que forma me atinges e fazes
recordar. Fotogramas de outras épocas em que vivia contigo. Sentir contigo, o
renascer de memórias passadas. Boas memórias. De locais, de segundos. E
compreendê-las após anos. Se tudo foi um longo desvio de um voo com destino
traçado desde o início. Se tudo o que vivi até então não foram apenas escalas
dum avião que me trouxe de volta a ti. Não te quero assustar com palavras madrugadoras.
Só e apenas perceber se esta pena que pesa dentro de mim, é levada com o vento,
ou se fica e cresce. Para isso ver-te, conviver contigo. Um dia. Um momento.
Matar a dúvida da incerteza do meu presente. Quando queres ser minha cúmplice
nesse momento?
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